domingo, 6 de setembro de 2020

Márcia Lima: um show de forró e simpatia

Ela poderia ter escolhido outro gênero musical para aproveitar sua voz personalíssima e toda sua simpatia, mas preferiu se dedicar ao forró. Isso para uma paulistana não é coisa muito natural.  Radicada atualmente em Arcoverde (PE), Márcia Lima começou como vocalista de banda, gravando 04 CDs e um DVD, além de inúmeras participações em programas de Rádio e Televisão. Foi destaque no Festival de Novos Talentos da Musica Popular Brasileira, realizado em São Paulo.        

Depois de sete anos como vocalista de banda, em 2008, Márcia resolveu enfrentar a carreira solo, no que deu muito certo, com a sua banda se apresenta em eventos públicos e casas de shows de todo o País.  Aqui no Nordeste ela já realizou shows na “Sala de Reboco”, “Casa da Rabeca”, “Bodega do Veio”, “Bar do Caboclinho” e no “Azulzinho”.    

Com muito talento, traquejo de palco, voz harmoniosa e muita interação com o publico, Márcia Lima vem se destacando como uma das mais promissoras forrozeiras da região, graças principalmente ao repertório de musicas que o povo gosta de ouvir para conquistar com isso e cada vez mais o aplauso do grande público.

Shows: (81) 9.9797-0980 / 9.8529-5737

Inscreva-se no Canal do Youtube

https://www.facebook.com/marcialimacantora/

https://www.instagram.com/marcialimacantora/

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Mestre Camarão: dedicação e amor ao Forró


Ele dedicou a maior parte de sua vida à música, sobretudo, à sanfona. Chamava-se Reginaldo Alves Ferreira, nascido em Brejo da  Madre de Deus em 23 de junho de 1940 (véspera de São João),  mas o publico o conhecia como Mestre Camarão. O apelido foi dado pelo compositor e amigo Jacinto Silva, pelo fato dele ter as bochechas do rosto um tanto avermelhadas.  

Camarão apaixonou-se pela sanfona porque conviveu com ela dentro de sua propria casa. Sen pai, o sanfoneiro Antonio Neto, tinha uma sanfona de 8 baixos, com a qual Camaarão começou aos 7 anos de idade a puxar o fole, se aperfeiçoando  ouvindo Luiz Gonzaga e estudando os métodos de Mário Mascarenhas. Iniciou a carreira artística em Caruaru, onde tocava nas feiras e festas da região. Trabalhou na Rádio Difusora de Caruaru (hoje Rádio Jornal), onde conviveu com dois outros mestres: Sivuca e Hermeto Pascoal. Aos 18 anos conheceu Luiz Gonzaga, com quem participou de 28 gravações. Depois formou com os músicos Jacinto Silva e Ivanildo Leite seu primeiro conjunto musical – o Trio Nortista. Em 1968 criou a primeira banda de forró do Brasil – a Banda do Camarão e, ainda, a Orquestra Sanfônica de Caruaru.  Seu repertório era composto por ritmos regionais como o xote, o xaxado, o baião, o forró e o arrasta-pé.                

Mestre Camarão costumava acompanhar grandes nomes da música nordestina, como Dominguinhos, Santanna, Marinês, entre outros.  Em 1961, representou Pernambuco junto com o mestre Vitalino no primeiro aniversário de Brasília, a convite do então presidente da República, Jânio Quadros. Em 2002, foi a São Paulo apresentar-se no projeto “Sanfona Brasil”.  Em 2004, participou do projeto “O Brasil da Sanfona”. Em 2012, participou do centenário de Luiz Gonzaga em Exu (PE). A partir de 1980, Camarão passou a residir  no Recife, onde ministrava aulas de sanfona na Escola de Acordeon de Ouro, fundada por ele e localizada em Areias. Foi homenageado no São João de Caruaru em 1999 e de Recife no ano de 2007. Camarão obteve o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2003. 

A discografia é composta por 18 vinis, quatro 78 rpm, seis CDs e um DVD que foi registrado em show na Cachaçaria Carvalheira, em 2013, com as participações especais de Beto Hortis, Thaís Nogueira, Geraldinho Lins, Josildo Sá e o filho, Salatiel, fizeram participações.

O Mestre Camarão morreu na manhã do dia 21 de abril de 2015, aos 74 anos. Seu corpo foi velado na Camara de Vereadores do Recife e de, Caruaru, sendo enterrado no cemitério Dom Bosco na Capital do Agreste. 

 


quinta-feira, 30 de julho de 2020

Adilson Ramos: um carioca apaixonado pelo Recife


Ele não é pernambucano, mas é como se fosse. Conheceu o Recife quando veio fazer seu primeiro show e se apaixonou pela cidade. E  foi tão grande a paixão que veio morar definitivamente na capital de Pernambuco em 1982, depois de se tornar um artista consagrado em todo o Brasil com musicas como “Sonhar Contigo”, “Olga”, “Fim de festa”, “Leda”, “Só liguei porque te amo”  “A chuva me lembrou você”, “Duas flores”, “Solidão”, e  tantas outras.

Adilson Ramos de Ataíde nasceu no Rio de Janeiro em 1945 para ser o cantor e compositor Adilson Ramos. O gosto pela musica começou aos 9 anos de idade, quando ganhou do pai uma sanfoninha. Ainda menino,  participou de um concurso de calouros num parque de diversões de um subúrbio carioca.  Ganhou em primeiro lugar. Na platéia estava um  produtor de televisão que o levou para uma apresentação no programa “Clube do Guri”, da extinta TV-Tupi.  Ficou contratado da Emissora por dois anos. Participou em seguida de um grupo chamado “Os Cometas” e em 1960 iniciou sua carreira solo, quando gravou a musica “Sonhar Contigo”, que ainda hoje é cantada em todo o Brasil.

Em 1963, Adilson veio pela primeira vez ao Recife para fazer uma  série de programas na TV Jornal do Commercio. Apaixonou-se pelo público pernambucano, que já era apaixonado por ele. Em 1966 Adilson se casou e foi, aos poucos, abandonando a carreira artística. Passou a ser empresário no ramo de móveis domésticos. Depois de um show que teve que fazer meio forçado numa cidade do Rio, Adilson passou a conciliar a atividade artística com a de empresário, até que em 1982 veio fazer um show para um político pernambucano. Daí prá frente não teve mais sossego. Passava metade do mês no Rio de Janeiro  e a outra metade no Nordeste. Em 1982 veio morar no Recife, abandonando a fábrica de moveis e passando a ser dono de uma padaria no bairro de Boa Viagem. 

A música de Adilson mexe com os corações dos que já passaram dos 60. Muita gente guarda, com carinho, o DVD que ele gravou no Classic Hall para comemorar os seus 45 anos de sucessos, com a participação de Agnalo Timóteo, Elymar Santos e seu filho, Cristian Ramos.  Simpático com o publico, Adilson Ramos  nunca deixou de lotar as plateias por onde se apresenta. Entre as emoções que a carreira lhe proporcionou cita uma vivida em Paris, quando passeava com a família e avistou um carro tocando “Sonhar Contigo”, a música que é a sua maior criação.

 

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Waldonys: cantor e sanfoneiro de muito talento

Waldonys José Torres de Menezes tem profissão diferenciada, apesar de ter enveredado pelo caminho da musica. Ele é paraquedista e piloto acrobático. Nascido em Fortaleza, capital do Ceará, em 14 de setembro de 1972, foi o seu pai que o incentivou para a carreira artistica. Ele era acodeonista amador e começou a dar aulas para Waldonys quando ele tinha apenas 11 anos. Posteriormente, estudou num conservatório musical. Nessa época ele conheceu Dominguinhos, que o apresentou a Luiz Gonzaga. 

 Notando que o garoto tinha talento e puxava muito bem o fóle da sanfona, levou-o para São Paulo e aos 15 anos  participou da gravação da musica “Fruta Madura”,  do LP “Ai tem”. Aos 16 anos foi convidado a participar de uma turnê aos Estados Unidos, por um período de 4 meses. Agradou tanto que acabou ficando por lá 8 meses, tocando em teatros lotados, em metrópoles como por exemplo Las Vegas.

Participou do “Projeto Asa Branca”, criado por Dominguinhos, em companhia de Renato Borghetti, Oswaldinho, Sivuca, Gilberto Gil, Tânia Alves, entre outros. Tornou-se conhecido entre os maiores acordeonistas do Brasil.  Trabalhou com Fagner, participando de turnê, onde também viajou pelo Brasil e Exterior. Na volta, a bagagem cheia de experiência, gravou em 1992 seu primeiro LP, em homenagem a Luiz Gonzaga, intitulado “Viva Gonzagão”.

Começou daí sua carreira solo. Cantando e tocando Waldonys foi se tornando conhecido pelo público e pela crítica. Gravou outro álbum  “Veleiros”.  Fez uma excursão com a cantora Marisa Monte, além de ter gravado um LP com ela. Horizontes ampliados, Waldonys sentiu necessidade de retomar sua carreira solo, e daí vieram vários discos.

Participou de mídias nacionais como “Programa Som Brasil” (em que esteve por 4 vezes), “Domingão do Faustão”, “Programa Jô Soares”, “Viola minha viola”, “Altas Horas”, entre muitos outros..

A gravação do primeiro DVD de Waldonys foi feita em comemoração aos 20 anos de carreira, gravado ao vivo no Teatro José de Alencar, em Fortaleza-CE, com as participações de Tânia Alves, Renato Borghetti e Fausto Nilo.

E aí está Waldonys, um cearense que aproveitou bem  as oportunidades e ganhou popularidade na musica nordestina e brasileira.

Amazan: uma carreira dedicada ao Forró

José Amazan Silva nasceu em Campina Grande (PB) em 5 de outubro de 1963.  Foi criado em Jardim do Seridó, interior do Rio Grande do Norte,e ainda criança já gostava de ouvir a boa musica nordestina. No inicio de sua adolescência deu os primeiros acordes numa velha sanfona emprestada por um de seus primos.  Aos 12 anos escreveu o primeiro de uma série de cordéis. Voltou para Campina Grande quando tinha 19 anos. Em 1984 conheceu o grupo de cultura nativa  “Tropeiros da Borborema” e a partir daí virou seu  sanfoneiro . Foi com eles que teve oportunidade de mostrar sua arte para vários Estados brasileiros e até para a Europa. Em 1989 iniciou a carreira solo, quando gravou o seu primeiro LP.

Escreveu e editou três livros, lançados em 2009. Neste mesmo ano, fez várias apresentações no programa “TV Xuxa”, da Rede Globo. Em 2011 ficou mais conhecido ainda quando participou da campanha publicitária de uma marca de cerveja, narrando historias acompanhado de sua sanfona.

Sempre foi um amante do forró, ritmo com o qual passou a ser  admirado por um grande público, mas além de sanfoneiro, cantor, compositor, escritor, cordelista e empreendedor, Amazan exerceu intensa atividade política.  Em 2012, foi candidato a prefeito de Jardim do Seridó/RN pelo PSD, ficando em segundo lugar no pleito. Em 2014, foi candidato a deputado estadual do Rio Grande do Norte sendo o 28º mais votado, ficando na segunda suplência de sua coligação.  Nas eleições de 2016, foi eleito prefeito da cidade de Jardim do Seridó, no Estado do Rio Grande do Norte. 

Com amor e respeito ao forró, gênero musical que abraçou  sem recorrer a apelos agressivos, Amazan segue seu caminho cantando, compondo e levando a boa musica nordestina a todos que o admiram e aplaudem seu trabalho.

sábado, 11 de julho de 2020

Festival da Seresta: um marco na história do Marco Zero no Recife

O propósito maior do então Prefeito Jarbas Vasconcelos era revitalizar o Bairro do Recife, que vivia dias de abandono.  A idéia do radialista Geraldo Freire de realizar uma seresta em praça pública foi imediatamente aprovada pelo chefe da municipalidade recifense e surgiu, em 1995, o “Festival da  Seresta”, com a produção de Daniel Bueno e transmitido todas as noites pela Radio Jornal.      


O primeiro ano foi realizado em palco armado na Praça do Arsenal, reunindo grandes nomes da musica popular brasileira, entre eles: Silvio Caldas, Maria Creusa, Moacyr Franco, Carlos José, Núbia Lafayete, Agnaldo Timóteo e Nelson Gonçalves.        

O público foi tão receptivo que no ano seguinte o evento passou para a Praça do Marco Zero, com espaço para acomodar mais gente.  As primeiras noites passaram a ser dedicadas à jovem guarda e aqui estiveram Wanderléa, Fevers, Vanusa, Erasmo Carlos, entre outros artistas famosos dessa linha musical da época. Grupos musicais e intérpretes de Pernambuco também se destacaram, como Reginaldo Rossi, Leonardo Sullivan, Conjunto Pernambucano de Choro, Fernando Azevedo, Dalva Torres, Roberto Muller, Mozart, isso nos primeiros anos do evento.        

Os prefeitos do Recife foram se sucedendo e o Festival da Seresta crescendo em importância no conceito da população, principalmente porque jamais foram registrados casos de violência ou assaltos durante a festa. A frequência sempre foi constituída de famílias e muitos frequentadores se conheceram e se tornaram casais acompanhando a seresta.            



Para se ter uma idéia da extensão artística dessa festa patrocinada, todos os anos,  pela Prefeitura do Recife basta relacionar mais alguns artistas famosos que já pisaram o seu palco:  Cauby Peixoto, Jamelão, Miltinho, José Augusto, Waldik Soriano, Noite Ilustrada, Alcione, Fagner, Benito di Paula, Ângela Maria, entre muitos outros.           

Se existe um evento que marcou para sempre a historia do Marco Zero como local de grandes acontecimentos artísticos e culturais esse evento se chama o Festival da Seresta, que nasceu para ficar.

Leonardo Sullivan: talento como intérprete e compositor pernambucano

Iveraldo de Souza Lima, filho de pais pobres, órfão de pai aos seis anos de idade, foi obrigado a ajudar a família trabalhando como operário de uma fábrica na cidade de Vicência (PE), onde nasceu. Tinha apenas 13 anos de idade. O garoto operário demonstrou desejo de seguir a carreira da família, já que alguns de seus parentes eram músicos.        

Depois de uma infância muito difícil, aos 16 anos resolveu morar com um irmão no Recife. Admirava os cantores da época: Wilson Duarte, Nel Blue, Marilene Silva, Claudionor Germano, Carmen Artoni, entre outros. 

Um certo dia, Iveraldo teve a oportunidade de cantar, como calouro,  no programa “Varietê”, comandado por Nilson Lins na Rádio Jornal do Commercio.  O auditório veio abaixo quando ele interpretou uma musica do repertorio de Agnaldo Rayol. Foi o inicio de tudo. 

Vieram depois as chances de atuar nos programas de maior audiência do Rádio e da Televisão, como o “Bossa 2”, “Noite de Black-tie” e “Você faz o show”. Isso ainda sendo chamado de Iveraldo Lima. O nome Leonardo surgiu quando ele gravou seu primeiro disco na CBS. Sullivan foi acrescentado quando ele gravou um disco de musica gospel.     

     

Leonardo Sullivan, além de intérprete de muito talento, é um excelente compositor.  São inúmeras as criações dele gravadas por famosos cantores nacionais. O maior exemplo disso foi a canção “Memórias”, titulo de seu primeiro LP, que foi gravada também por Fafá de Belém. Com essa música, Fafá ganhou dois discos de platina e “Memórias”  foi cantada em todo o Brasil.           

 

Logo que a dupla Leandro e Leonardo surgiu, o nosso Leonardo entrou com uma representação da Justiça para justificar o uso do nome.  A questão rolou e Leonardo adotou o sobrenome Sullivan e desistiu da ação.            

Torcedor do Sport Club do Recife, Leonardo gosta de futebol, mas a música está em primeiro lugar. É evangélico, gosta de ler a Bíblia e tem um disco de musica gospel gravado a pedido do pastor Marcelo Crivela. 

A banda que o acompanha em seus shows é formada em sua maioria por filhos e  sobrinhos. E mais um detalhe importante nessa família de músicos. 


sexta-feira, 10 de julho de 2020

Bia Villa-Chan estreia como compositora em single com Maciel Melo

Bia Villa-Chan apresenta pela primeira vez ao público a compositora no single “O jeito de lá de casa”, em parceria com o cantor e compositor Maciel Melo. Os dois amigos compuseram o xote durante a quarentena, através de mensagens e ligações para conversar sobre os versos e a melodia. As reflexões provocadas pela crise sanitária atual se refletem em versos como “Eu vivo procurando por palavras/ Às vezes acho, às vezes não/ Eu vivo procurando por certezas/ Às vezes acho, às vezes não”.

Maciel foi uma surpresa de quarentena, define Bia. “Desenvolver essa parceria foi, primeiro, encarada com muita responsabilidade por tudo que ele representa para a cultura nordestina e ao mesmo tempo uma oportunidade de amadurecimento profissional. Interagir musicalmente com Maciel é um grande aprendizado”, comemora. 

O clipe, dirigido por Thamyres Oliveira, e a canção está no YouTube e nas plataformas digitais. “A primeira vez que eu vi Bia tocando, achei uma maneira diferente de tocar, ela é uma grande instrumentista e canta bem. Tem coisas que não têm explicação, acontecem. Quando ela musicou a letra, achei muito bacana. Eu acho que parceria é isso, vem, vai fluindo”, conta Maciel. O artista de Iguaracy está cumprindo o distanciamento social em Petrolina, no Sertão pernambucano, onde gravou a voz para o single.

No clima de São João, importante festa do calendário nordestino afetada diretamente pela pandemia, “O jeito de lá de casa” conta com a voz dos dois e tem arranjo de Bia com Romero Medeiros, responsável ainda pela direção musical e teclados. Renato Bandeira (guitarra semi-acústica), Hélio Silva (contrabaixo), Gilberto Bala (percussão) completam o time de instrumentistas. As imagens foram gravadas na casa da mãe de Bia Villa-Chan, com uma equipe de apenas duas pessoas. 

A cantora, multi-instrumentista e compositora já está com outros projetos autorais na agulha e promete muitas novidades para os próximos meses. “A quarentena me forçou a desacelerar e me possibilitou trabalhar composições próprias, que já existiam, mas precisavam de dedicação. Acho que esse é um momento em que me encontro mais madura, com um trabalho consistente, com uma identidade sonora bem definida. Quero contribuir com a minha assinatura, minha verdade”, comemora.

Devido ao período de isolamento social, cujas restrições para o setor cultural devem perdurar mais que em outros segmentos, a pernambucana armou um estúdio em casa e tem se dedicado ao estudo dos instrumentos e ao aprimoramento das técnicas de composição.

Apesar das dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19 e pela necessidade de ficar em casa para conter o avanço do novo coronavírus, ela quer dar continuidade aos projetos de 2020, ano que começou especial para Bia. Pouco depois de lançar o segundo EP, GiraSons, ela divulgou o clipe da faixa Rumo do céu e do mar e uma versão para o clássico Lágrimas de folião, de Levino Ferreira. 

Durante o carnaval, colecionou elogios do público e da imprensa no decorrer da maratona que envolveu o Recife, Olinda, Salvador e São Paulo. A programação contemplou o Galo da Madrugada - na capital Pernambucana e em São Paulo -, além do trajeto Barra-Ondina, ao lado de Armandinho Macêdo, filho de Osmar Macêdo, um dos inventores do trio elétrico, show no Palco Fortim e ainda no Polo Brasília Teimosa.

 

BIA VILLA-CHAN

Quem testemunha a destreza sobre o palco, a intimidade com o bandolim, a voz potente a desfiar cada letra nem imagina os caminhos tortuosos percorridos pela pernambucana Bia Villa-Chan para abraçar de vez a arte. Uma trajetória marcada por perdas, superação e a difícil escolha de deixar para trás a construção profissional de uma vida inteira. Uma rota trilhada pelo sonho de fazer da música companhia e destino, prazer e realização, reforçada pela parceria com nomes ilustres da seara sonora brasileira, como Alceu Valença, pela participação em eventos grandiosos da festividade popular, pelos prêmios concedidos pelo desempenho artístico.

O sucesso vivenciado, hoje, ecoa uma relação com a música iniciada aos 6 anos de idade, quando Bia Villa-Chan aprendeu com o avô Heitor Villa-Chan, um dos criadores do bloco Pirilampos de Tejipió (citado na clássica canção Valores do passado, de Edgar Morais). Autodidata, ela passou a dominar com naturalidade instrumentos como a guitarra, o contrabaixo, a bateria, o clarinete, o sax e o piano. Mas a carreira seguiu outro rumo: Bia enveredou pelo campo da saúde e estudou odontologia. Fez bacharelado pela UFPE, tornou-se mestre em engenharia biomédica na área de física nuclear, entrou no doutorado em ciências biológicas no campo da genética vegetal até topar com as artimanhas da vida: descobriu um câncer na tireoide, em 2017, e, após enfrentar a doença, decidiu se reencontrar de forma definitiva e exclusiva com a música. 

A decisão passou por percalços. Pesaram a memória da irmã, falecida aos 15 anos vítima de um câncer, a dificuldade de contar aos pais a manifestação de uma doença semelhante e a necessidade de repensar a vida depois de ficar diante do drama de saúde. Do processo traumático, surgiu a carreira da cantora pronta para fazer da voz e do instrumento uma forma de reverberar a cultura pernambucana, nordestina e brasileira através da diversidade do som e da música.

Os atributos artísticos são reconhecidos e valorizados por artistas consagrados como o conterrâneo Alceu Valença. A carreira em plena ascensão tem se caracterizado por combinar a valorização da cultura do estado com a renovação sonora a partir da releitura criativa dos clássicos da música regional, atributos ressignificados como passaporte artístico para a participação em festivais prestigiados, eventos carnavalescos, premiações regionais e parcerias com músicos renomados.

A curta, mas vigorosa, trajetória de pouco mais de dois anos como artista profissional já amealhou o prêmio de Melhor Cantora de MPB, na 10ª edição do Prêmio da Música de Pernambuco, o Troféu Gonzagão, considerado o “Oscar da música nordestina”, e legou ao público os EPs Pedacinho de Mim e GiraSons, lançado no fim de 2019. 

Mulher e instrumentista, Bia Villa-Chan também faz do próprio caminho um gesto de incentivo à atuação artística feminina no virtuosismo e na seara da música de tradição regional, elementos com poder de criar identidade cultural e ainda associados, majoritariamente, a protagonistas masculinos. Não raro, a cantora sobe ao palco vestida com roupas onde está inscrita a mensagem “Toque como uma mulher”, expressão combativa ao machismo e estímulo à inserção musical das mulheres.

A habilidade com o bandolim transformou Bia, não raras vezes, em “sensação digital” da música pernambucana com performances cujos registros viralizaram na internet e nas redes sociais - varreu a web a apresentação ao lado do Maestro Spok, símbolo do frevo, durante os preparativos para o carnaval de 2019 e se tornou bastante popular um vídeo com a execução de Feira de Mangaio capitaneada pela cantora no bandolim.

 


terça-feira, 7 de julho de 2020

Anastácia - A Rainha do Forró

Lucinete Ferreira é pernambucana, nascida no Recife em 30 de maio de 1940. Cantora e compositora mais conhecida como Anastácia – “A Rainha do Forró” – ela despertou interesse pela musica aos 7 anos de idade. Escreveu mais de 200 canções ao lado do ex-marido – o músico Dominginhos, que foi seu maior parceiro musical. Começou gravando em 1960 um álbum com o seu nome. 

No ano de 2017, Anastácia foi indicada ao Grammy, na categoria “álbum de musica de raízes em língua portuguesa” pelo álbum “Daquele Jeito”, gravado no mesmo ano.  O disco carrega os tons sertanejos, mas também apresenta alguns dos elementos que marcam sua trajetória: belas composições e verdadeiros hinos da musica regional.  Esse álbum que concorreu ao Grammy Latino ainda traz duetos especiais com artistas como Raimundo Fagner, Fafá de Belém e Zeca Baleiro. 

Durante toda a sua carreira artística Anastácia sempre demonstrou entusiasmo pela música, participando de vários shows memoráveis e com presença marcante em programas de Rádio e Televisão por todo o Brasil.  Gravou seu primeiro DVD em 2018, intitulado  “Eu sou Anastácia”,  trazendo consigo a efervescência dos  ritmos nordestinos, graças a sua vivência de décadas cantando forró.


Zenilton dominou as paradas com a sua música de duplo

José Nilton Veras, mais conhecido pelo apelido Zenilton, é cantor compositor e sanfoneiro pernambucano que ganhou fama pelo teor humorístico de suas letras. Zenilton foi creditado pelos integrantes da banda de rock “Raimundos” como uma das suas influências musicais.

Zenilton nasceu em 14 de fevereiro de 1939 na cidade de Salgueiro, na região do sertão central de Pernambuco a mais de 500 quilômetros do Recife. Ainda criança começou a gostar de música e, aos 14 anos, começou a aprender a tocar acordeon, almejando um futuro como músico profissional. Seu pai, que era dentista do Exército, foi contra, por achar que a carreira de músico não tinha nenhum futuro.  Seu primeiro álbum foi “Fofocando”, gravado em 1967, e já trazia letras bem humoradas.  Durante a época do regime militar, Zenilton passou a usar trocadilhos em suas letras para escapar da censura que existia aos artistas.   

     

Embora tenha lançado o primeiro LP em 1960, ele só se tornou sucesso nacional na década de 70, com forrós de duplo sentido. “Capim Canela” iniciou a série de musicas de sucesso: "Meu gado emagreceu, que só se vê a costela/ a salvação disso tudo foi o capim canela/ a criação engorda comendo capim canela/ é só capim canela, é só capim canela". Depois veio, “A Veia Debaixo da Cama” e “Bacalhau à Portuguesa”: - “Eu quero cheirar seu bacalhau/ Maria, quero cheirar seu bacalhau". Outra “Deixei de Fumar”: - "Só fumo no cachimbo da mulher/ fumar cigarro nunca mais eu me acostumo/ todo dia fumo no cachimbo da mulher".   

 

Zenilton revela que foi levado ao duplo sentido por causa de Luiz Gonzaga. Foi fazer um show numa fazenda, na Bahia, ele, Marinês, Gonzaga e o Trio Nordestino.  Na sua apresentação, era prá cantar durante 45 minutos e ele passou o dobro do tempo só cantando musicas do “Rei do Baião”.  Quando terminou Gonzagão estava arretado porque ele tinha cantado quase todo o seu repertório. 

Zenilton confessa que o carão do Rei do Baião o deixou meio chateado. Passou um caminhão por Salgueiro, em 1958, ia pra São Paulo. Viajou nele 18 dias prá chegar na capital paulista.  Não conhecia ninguém na cidade. Só tinha uma sanfoninha e uma sacola com roupa. Foi pra Praça da Sé tocar e cantar. Um dia apareceu um português que queria aprender a tocar sanfona. Fizeram um acordo. Zenilton ficava dormindo nos fundos do bar do português e em troca ensinaria sanfona. O português voltou pra Portugal e Zenilton comprou o bar dele. E foi comprando outros. Chegou a ter 14 bares pequenos, tipo lanchonete. Daí foi conhecendo os músicos, o povo do rádio começou a convida-lo para programas e ele acabou abraçando a carreira. Foi justamente em São Paulo, que Raul Seixas, de quem era amigo, o aconselhou a cantar coisas engraçadas. Aí gravou “Capim Canela”. No outro ano, foi fazer um show na mesma fazenda, Luiz Gonzaga também estava lá e veio lhe abraçar dizendo:- “Está vendo como foi bom eu lhe aconselhar? Fui pro Rio de Janeiro, e lá todas as rádios só tocavam você”.  Zenilton também passou muitos anos em Portugal, onde também teve influência em Quim Barreiros, artista muito popular no país, na linha duplo sentido.          

Com três filhos bem encaminhados (uma filha é médica) e seus 81 anos bem vividos, Zenilton sente saudades de muita coisa e não se arrepende de nada do que fez em sua árdua e laboriosa carreira artística.

Solange Almeida: brilhante estrela da música do Nordeste

Solange Almeida, cujo nome completo é Solange Almeida Pereira é cantora, compositora, instrumentista, apresentadora e empresária de uma marca de roupas femininas. Antes de se projetar como vocalista da banda “Aviões do Forró”, temporada que durou 14 anos, ela cantou em diversos outros grupos musicais, como “Caviar com Rapadura” e “Cavaleiros do Forró”. 

Nascida em 29 de agosto de 1974  e criada em uma família humilde da cidade de Alagoinhas, no interior da Bahia, Solange passou boa parte da sua infância e adolescência em Barrocas (também interior da Bahia), cidade natal dos seus pais; desde a infância sonhava em ser cantora. Aos cinco anos de idade, por influência de um tio, passou a cantar em pequenas reuniões familiares. Aos doze anos, iniciou sua carreira profissional, escrevendo canções e se apresentando em pequenos festivais regionais. Na adolescência, passou a dançar e cantar em diversas bandas de forró, emplacando dezenas de sucessos. Apesar da pouca idade, já possuía um gosto musical avançado, ouvindo cantores como Clara Nunes, Luiz Gonzaga e Roberto Carlos.

Em 1998 gravou dois CDs compondo a Banda G, de Carpina (PE). Foi em 2002, ao ir morar em Fortaleza (CE) que ela recebeu o convite para cantar na nova banda cearense chamada “Aviões do Forró”. O grupo apresentava uma proposta diferente, que logo se tornaria um dos maiores fenômenos musicais do Brasil.  Solange saiu para iniciar sua carreira solo em 2017, e de lá prá cá vem acumulando um sucesso atrás do outro em suas apresentações.

Como empresária é dona da  linha íntima da marca “Hardy Lingerie” , e também tem sua imagem associada a dezenas de marcas nacionais e multinacionais, como garota-propaganda da Panasonic, LG, Yamaha, P&G  Skol e Coca-Cola.

Em 18 de maio de 2010, Solange Almeida recebeu o título de cidadã fortalezense. No ano de 2015, estreou como apresentadora, apresentando o programa “Solange Almeida Convida”, exibido pelas plataformas ClapMe e Vevo. Solange  recebeu o título de Madrinha da Infância Fortalezense em 2016, durante cerimônia em alusão ao Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, realizada pela Câmara Municipal de Fortaleza.  

Em  2017, Solange gravou seu primeiro DVD em carreira solo no ”Citibank Hall”, em São Paulo.  O trabalho contou com as participações de Anitta, Xand Avião, Ivete Sangalo, Joelma, Tiago Iorc, Cláudia Leitte, Gusttavo Lima, Padre Fábio de Melo e o maestro Eduardo Lages.

Em 2018, Solange recebeu o ”Troféu Danado de Bom”, tendo a música "Cozido da Patroa" como música da Festa de São João 2018. Recebeu também sua primeira indicação ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Música Sertaneja por seu álbum de estreia solo, “Sentimento de Mulher”. 


sexta-feira, 3 de julho de 2020

Lia de Itamaracá: Rainha da Ciranda

“Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracá”. Cirandeira conhecida por Lia de Itamaracá tem o nome de batismo Maria Madalena Correia do Nascimento. Mulher negra, nascida em 12 de Janeiro de 1944, na Ilha de Itamaracá, Pernambuco. Foi na Ilha que começou a participar de rodas de Ciranda desde os 12 anos de idade. Foi a única de 22 irmãos a se dedicar à música. Segundo ela, trata-se de um dom de Deus e uma graça de Iemanjá, sua mãe protetora. Mulher simples, com 1,80m de altura, canta e compõe desde a infância e hoje é reconhecida no Brasil e fora do país, como expressão da cultura do Nordeste Brasileiro.

Lia iniciou sua trajetória nos anos de 1960.  Em 1977, gravou seu primeiro disco, intitulado A Rainha da Ciranda. Ela é considerada Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco. Em 2005 recebeu o título de Comendadora da Ordem do Mérito Cultural do Governo Federal.          

Pena que a ciranda, essa dança tão típica de Pernambuco esteja tão esquecida nos dias de hoje.  Na década de 70 ocorriam rodas de ciranda no Pátio de São Pedro, na pracinha de Boa Viagem, na praia do Janga e na Ilha de Itamaracá.  Cirandeiros como Mestre Baracho, Dona Duda e a própria Lia eram ídolos do publico que adorava esse folguedo.  Os compositores Edu Lobo e Capinam criaram a musica “Cirandeiro”, que o Rei Luiz Gonzaga gravou. Lamentavelmente, a ciranda deixou de ser tão popular como era antes, certamente por culpa  dos órgãos que cuidam da nossa cultura popular.  Lia continua viva e atuante, realizando eventos e lutando para que essa relíquia do folclore nordestino não seja nunca esquecida. 

 

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Joquinha Gonzaga: o herdeiro legítimo do “Rei do Baião”

João Januário Maciel Gonzaga, nasceu  no dia  01 de abril de 1952, no Rio de Janeiro, filho de Raimunda Januário (Dona Muniz, segunda irmã de Luiz Gonzaga) e João Francisco Maciel. Muito aproximado do tio famoso, ficou mais conhecido como Joquinha Gonzaga, sobrinho e herdeiro de Gonzagão. 

No final da década de 1940, o “Rei do Baião” formou o primeiro núcleo nordestino no Sul do país, trazendo sua família composta pelo seu pai Januário, sua mãe Santana, suas irmãs Muniz, Geni, Socorro e Chiquinha Gonzaga e seus irmãos Aluízio, Zé Gonzaga e Severino Gonzaga para o Rio de Janeiro. Eles se instalaram em um Sítio em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias-RJ, mais conhecido como Sítio dos Gonzagas, onde eram realizadas grandes festas como casamentos, batizados, aniversários, novenas etc, sempre com muitos convidados, músicas, comidas típicas nordestinas e a presença de grandes artistas famosos como Marinês, Abdias, Trio Nordestino, Dominguinhos, entre outros. 

         

Foi neste meio que nasceu e cresceu Joquinha Gonzaga, que logo aos 12 anos de idade ganhou do tio uma sanfona de oito baixos (pé de bode). Após dois anos, reconhecendo o talento do seu sobrinho, Gonzagão trocou os oito baixos por um acordeon.  Joquinha começou tocando em festas e forrós no Rio de Janeiro e, posteriormente, viajando por todo o Nordeste acompanhando o tio como músico (sanfoneiro). Joquinha assumiu com muita responsabilidade o sobrenome que imortalizou o tio. Toca sanfona, canta forrós, usa chapéu de couro, e vive da música.  Dos que trabalharam diretamente com Tio Gonzaga só tem vivos ele e Piloto, seu irmão, que tocava zabumba, era motorista e empresário artístico. Trabalharam com ele até sua morte em 1989. Eram os sobrinhos mais próximos de Gonzagão.  

A sua educação artística de Joquinha foi forjada nos conselhos que o tio lhe dava. Na maneira de tocar, ensinava a puxada de fole, que era uma característica dele. Herdou, assim, muitas coisas do tio.           

Joquinha já gravou mais de 10 discos, alguns com a participação especial de Dominguinhos, Genival Lacerda, Santanna e do próprio tio, o “Rei do Baião”. Joquinha diz sempre que jamais lhe passou pela cabeça de também se tornar rei, mas faz questão de se orgulhar da grande família Gonzaga, a qual pertence com muito amor e dedicação.

BAIXE E ATUALIZE SUA PLAYLIST:

As Melhores de Joquinha Gonzaga - https://suamusica.com.br/forrozeirospe/as-melhores-de-joquinha-gonzaga

Joquinha Gonzaga - Caboclo de Fé - https://suamusica.com.br/forrozeirospe/joquinha-gonzaga-caboclo-de-fe

sábado, 27 de junho de 2020

O talento de Novinho da Paraíba nunca vai envelhecer

Com mais de 30 anos de carreira o cantor forrozeiro e sanfoneiro Novinho da Paraíba vem acompanhando de perto os avanços da Internet,  das redes sociais,  e procura se renovar musicalmente na linguagem de falar com as novas gerações forrozeiras. Há dois anos passados ele produziu o clip de “Imagine Se a Gente Tivesse Casado” no Youtube, com a participação especial da atriz, jornalista e modelo Nicole Bahls. O trabalho teve milhões de acessos e foi muito elogiado por todos. 

Para Novinho, “o artista não tem prazo de validade. Nessa era movimentada das redes sociais, eu tenho que falar para essa turma jovem, sem perder a minha essência musical. A canção do novo clipe tem esse objetivo. É um forró vanerão com uma letra atual que aborda o uso do Instagram, das curtidas nas postagens e sobre a história de uma mulher ciumenta que só vive na Internet, vigiando a vida do namorado”, definiu Novinho.  

O cantor e instrumentista paraibano  tem uma grande familiaridade com as redes sociais  e busca criar composições mais próximas da geração atual, facilitando assim, a continuidade e a manutenção de sua carreira.- “A minha história começou há três décadas, eu não parei no tempo. Tenho que avançar e conquistar os jovens, me aproximar deles, sem esquecer a minha identidade”,-  ressaltou o autor de “Solidão no peito”, “Forró Fogoso”,” Doidinho de Paixão”, “Estrela cadente”,  “Gosto de você”, “Quando você quiser  voltar”,”O Gemidinho”,  “Umbiginho de fora” e tantos outras  composições de sucesso. Paralelo às produções e lançamentos. Novinho da Paraíba mantém uma rotina puxada com os preparativos dos shows para o ciclo junino. São musicas inesquecíveis, que são reverenciadas com destaque nos principais festejos juninos no Nordeste. O cantor paraibano quer manter sua história musical viva no cancioneiro nordestino brasileiro e seguir avançando, conquistando novos públicos, cantando como eles gostam de ouvir e curtir. Ou seja, prolongando ainda mais seu legado com modernidade. Nas conversas, Novinho da Paraíba costuma dizer, brincando: - “Eu sou mais novo do que nunca”.


O Forró de duplo sentido de Genival Lacerda: um ídolo do Brasil

Genival Lacerda  nasceu em Campina Grande no dia 5 de abril de 1931. Na sua cidade natal ensaiou os primeiros passos como cantor e compositor, mas foi no Recife, a partir da década de 50, que sua carreira artistica desabrochou definitivamente.

Em 1955, Genival gravou seu primeiro disco de 78 rotações, obtendo sucesso com a faixa “Coco de 56”. Em 1964, incentivado por Jackson do Pandeiro, seu concunhado, foi para o Rio de Janeiro trabalhar em casas de forró. Só a partir de 1975 é que o Brasil passou a conhecer mais de perto Genival Lacerda, depois que ele lançou “Severina Xique-Xique”, cujo verso “ele tá de olho é na butique dela” tornou-se dito popular e uma marca caracteristica da musica de duplo sentido, da qual ele se especializou para se copnsagrar perante o grande publico brasileiro.  Graças a essa  composição, de parceria com o compositor João Gonçalves, ele chegou a vender cerca de 800 mil discos.

 

Em 1976 lançou o album “Vamos Mariquinha”, com as faixas "É Aí que Você se Engana", "Forró da Gente", "Sanfoneiro Alagoano", "Eu Preciso Namorar" e "A Mulher da Cocada". 

Em abril de 2010, a cantora Ivete Sangalo (que se preparava para um show no Madison Square Garden, de Nova York, no fim do mesmo ano), gravou,  em dueto com Genival,  a composição  "Chevette da Menina". A música, cuja personagem central se chama Ivete, narra, num tom jocoso e de duplo sentido, a história de uma moça que supostamente empresta seu Chevette a um conhecido e o recebe todo machucado. O refrão diz:"Coitadinha da Ivete / Facilitou, estragaram seu Chevette / Mas coitadinha da Ivete / Em menos de uma semana estragaram seu Chevette".  

 

Foi o sucesso que consagrou definitivamente o querido cantor paraibano de Campina Grande. Seus principais sucessos são:  “Severina Xique Xique”, “De quem é esse jegue?”,  “Radinho de Pilha”, “Galeguim do zoi azu”, “Caldinho de Mocotó”, “O Chevete da Menina”, "Mate o Véio" entre muitos outros.       

     

Genival Lacerda continua morando no Recife e, apesar da idade (em 2021 ele vai completar 90 anos) continua participando de eventos e cantando em shows, ao lado do filho, João Lacerda, que segue com muito talento a carreira do pai como forrozeiro.

 

Baixe Aqui:

EP Pai e Filho - Genival Lacerda e João Lacerda

Genival Lacerda - Todas As Caras (2015)


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Onildo Almeida ganhou o mundo sem nunca ter saído de Caruaru

Nascido e criado em Caruaru, o compositor Onildo Almeida se notabilizou como autor da musica “A Feira de Caruaru”, gravada por Luiz Gonzaga em 1957.  O disco atingiu a marca de 100 mil cópias vendidas em menos de dois meses, um sucesso para os padrões da época.

Com a grande repercussão dessa música  Gonzagão conquistou o seu primeiro Disco de Ouro da carreira.  Pode-se dizer que “A Feira de Caruaru” conhece o mundo e vice-versa.  Tem versões em 34 países,  incluindo Estados Unidos, Japão, Suíça, Itália, Espanha, Portugal, entre outros. Por causa disso, Onildo costuma dizer que ganhou o mundo sem sair de Caruaru.

Onildo veio ao mundo no dia 13 de agosto de 1928, e orgulha-se em dizer que é filho da Capital do Agreste. .Seus pais José Francisco de Almeida e Flora Camila de Almeida,sempre o apoiaram  para seguir no caminho da música. Ainda adolescente, o compositor fez parte de grupos musicais locais, mas foi ao ingressar no rádio que ganhou notoriedade. 

Como compositor já escreveu mais de 550 músicas, gravadas tanto por Luiz Gonzaga como por consagrados interpretes brasileiros, como Gilberto Gil, Agostinho dos Santos, Chico Buarque de Holanda, Caetano Veloso Maysa, Jackson do Pandeiro, para citar apenas esses. Um detalhe é que Onildo começou fazendo frevo-canção. O primeiro deles – “Linda Espanhola” – foi gravado pelo cantor Gilberto Fernandes, que pertencia ao elenco da Rádio Jornal,  e venceu o carnaval de 1955, concorrendo com os mais consagrados compositores da época, como Nelson Ferreira, Capiba, Sebastião Lopes e Otávio Santiago.

A primeira gravação de “A Feira de Caruaru” foi feita  por ele próprio em 1956. Um ano depois é que Gonzagão gravou. Em 1958, Agostinho dos Santos, cantor romântico falecido no auge da carreira em um acidente de avião,  gravou “Meu Castigo”, com Maysa declamando a letra. Vendeu 58 mil cópias.

Algumas de suas músicas mais executadas: ”ABC do Amor”,” “Marinheiro”, “Meu beija flor”, “ No dia dos namorados”  “Saudade de você”,  “Siriri, sirirá”,  “Tá com raiva de mim”, e centenas de outras, todas no estilo brejeiro do forró da região do Agreste, onde nasceu e vive até hoje.

Onildo Almeida foi comerciante durante um bom tempo. Manteve uma loja de discos na sua cidade, fechada logo depois que adquiriu a Radio Difusora do Nordeste, da qual é proprietário juntamente com seu irmão José Almeida.

Caruaru não esquece o filho amado. Na entrada da feira, que é patrimônio cultural imaterial do Brasil desde 2007, há uma estátua em homenagem ao compositor, que também ama a sua terra natal e da qual nunca se separou.


terça-feira, 23 de junho de 2020

Silvério Pessoa: um estilo próprio de criar e interpretar a música regional

Silvério Pessoa ganhou projeção internacional integrando a “Banda Cascabulho”, em 1994, em pleno inicio do movimento Manguebet, quando fez apresentações no Canadá, Estados Unidos e Alemanha. Participou do Free Jazz, de três versões do Festival Abril pro Rock e recebeu, como compositor, o Prêmio Sharp de Música em 1999, categoria regional. Em 2001, após sair do grupo, lançou um CD baseado na obra do cantador alagoano Jacinto Silva, radicado em Caruaru e exímio cantador de coco. O disco foi lançado no Brasil em 2001 e na Europa em 2004, com o titulo “Bate o Mancá – o Povo dos Canaviais”, que recebeu diversas citações e artigos de importantes jornais e revistas da Europa. 

       

Cantor e compositor, a música de Silvério sintetiza as canções escutadas na Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco, misturada aos ritmos e atitudes dos jovens e aos novos sons como o rock, o Hip-Hop e o Punk. Nascido em 06 de janeiro de 1962, em Carpina, cidade da Zona da Mata Norte de Pernambuco, a 47 km do Recife, Silvério inspirou-se em Jackson do Pandeiro, no inicio de sua carreira.  

Em 2015 produziu o primeiro disco em homenagem a Jackson, com 22 músicas em 15 faixas, com a mesma semelhança e a forma sincopada de cantar de Jackson.  Esse disco se transformou num show que foi apresentado em várias cidades do Nordeste e do Sudeste. 

Outro trabalho de destaque da carrreira de Silverio Pessoa foi o lançamento, em 2012 do disco “Forroccitania”, um tabalho feito em parceira com a banda francesa “La Talvera” sobre os diálogos da cultura nordestina com a cultura Occitan. No mesmo ano ralizou turnê por cidades do sul da França e também da Belgica.     

Outro projeto com musicas de Jackon do Pandeiro foi o CD “Batidas Urbanas – Microbio do Frevo” – uma revisão da obra carnavalesca de Jackson, nas décadas de 50/60. Na sua discografia aparece também o CD “Cabeça Elétrica – Coração Acustico”, um disco autoral com participações especiais de Lenine, Dominguinhos, Alceu Valença, Lula Queiroga, Siba, entre outros. O CD lhe rendeu o Premio TIM de melhor cantor categoria regional em 2006. Um repertório que tem referências culturais e o som que vem do interior de Pernambuco e sofre intervenções eletrônicas.

Nascido e criado no meio do povo, Silvério Pessoa fez de seus trabalhos uma referência à linguagem, aos modos e costumes da gente pernambucana, seja da Mata Norte, Agreste e Sertão, transformando-se em um dos melhores intérpretes da cultura regional.