sexta-feira, 21 de maio de 2021

Targino Gondim está entre os forrozeiros mais admirados do Nordeste

 Targino Alves Gondim Filho nasceu no dia 7 de dezembro de 1972 em Salgueiro (PE).  É um músico, cantor e premiado compositor,  famoso no Norte e Nordeste do país por canções juninas, forró, baião e outros ritmos regionais.

Targino Gondim mudou-se para a cidade de Juazeiro da Bahia aos quatro anos de idade e, oito anos depois, começou a tocar sanfona, principalmente as musicas de Luiz Gonzaga, sendo estimulado pelo seu  pai. Aprendeu a tocar e a cantar “Vida de Viajante”, “Numa Sala de Reboco”, além do clássico “Eu só quero um xodó”, de  Dominginhos, mestre que tocou junto com ele em várias ocasiões. Já com dezoito anos, Targino se apresentava em shows nas cidades interioranas de Pernambuco.  

Seu primeiro sucesso na região se deu com "Até Mais Ver", no ano de 1994;  isso o levou a se apresentar na Televisão, ganhando maior projeção.   Cinco anos depois Targino Gondim  foi descoberto pela apresentadora Regina Casé e teve sua canção "Esperando na Janela" incluída no filme de 2000, “Eu, tu, eles’”. 

Em 2001 apresentou-se na "Tenda Raízes" do Festival Rock in Rio e em 2004  "Esperando na Janela" se tornou a música mais executada no Brasil e foi com ela que ele conquistou o Grammy Latino como melhor cantor regional.

Além das composições próprias, a discografia de Targino Gondim apresenta “remakes”  de canções de Luiz Gonzaga e já gravou junto a artistas como Margareth Menezes, Elba Ramalho e Dominguinhos.  Seu primeiro CD independente foi gravado em 1995, seguindo-se dezenas de outros.  Em 2001, a gravadora “Geléia Geral”, de Gilberto Gil lançou a nível nacional o CD “Dance forró mais eu”. Desse ano em diante não parou mais de gravar.

Durante turnê em Portugal, em novembro de 2007, Targino Gondim gravou especial para o canal – Música Brasil, exibido pela TVTEL da Rede Brasileira de Televisão Internacional (RBTI), para toda a  Europa.

Em 2009 lançou o projeto Canções de Luiz, trabalho que lhe rendeu o prêmio de Melhor Cantor no 21º Prêmio da Música Brasileira 2010 (antigo Prêmio Tim de Música). Durante o III Festival Internacional da Sanfona Targino lança o seu primeiro CD instrumental.

São muitos os artistas que se tornaram os maiores divulgadores da musica nordestina dentro e fora do Brasil.  Targino Gondim está entre eles, para alegria de seus incontáveis admiradores. 

 

   

 


sábado, 15 de maio de 2021

Filme que fala sobre a ausência do Carnaval, “Ladeira do Delírio” está disponível no YouTube

 Artistas pernambucanos produzem curta-metragem que mescla diferentes linguagens como dança, performance, atuação em obra experimental

 O ano de 2021 foi o primeiro em décadas a não ter Carnaval. Além de ter extrema relevância turística e econômica, culturalmente, as Folias de Momo são também o momento de suspensão do cotidiano, da loucura permitida numa espécie de catarse coletiva, quando as pessoas vão às ruas se encontrar, rir e, por vezes, esquecer das tragédias do dia-a-dia. Mas para onde foram todos esses sentimentos já que a festa não foi realizada? Como se deu vazão a tudo isso já que a maior parte das pessoas estava em isolamento? Esse foi a mola propulsora para um grupo de artistas pernambucanos criarem “Ladeiras do Delírio”, curta-metragem contemplado pelos recursos da Lei Aldir Blanc em Pernambuco, que está disponível gratuitamente no YouTube.

“A gente se juntou com a proposta de falar sobre a não-realização do Carnaval, algo que a gente é apaixonado, e transformar essa falta, esse vazio, em poesia. Mas com as gravações virou outra coisa, eu acho, muito mais ampla”, afirma Cyro Morais, que assina a direção do trabalho e também a divulgação das redes sociais.

Tiago Lima, que além da direção de fotografia é responsável pela montagem e design de som, afirma que Ladeiras não segue uma narrativa linear e mistura diferentes linguagens. “A gente pegou alguns elementos do que é o Carnaval, de como ele reverbera nas nossas subjetividades enquanto artistas e foliões e conseguimos fazer um filme que integra diferentes plataformas de expressão artística: a dança, a performance, a atuação, a música e o audiovisual. Todas essas coisas se mesclam dentro de um caldeirão, que é o audiovisual, num filme que eu consideraria experimental”.

A maior parte da equipe assumiu mais de uma função, por se tratar de um orçamento extremamente reduzido. Fazem parte dela: Cyro Morais, direção e produção de conteúdo para as redes, Tiago Lima, na direção de fotografia, montagem, design de som e arte gráfica, Inaê Silva, atuação e produção, Filipe Sampaio, iluminação e atuação, Mariana Dubeux, atuação, Babi Jácome, figurino, e Dandara Luz, maquiagem e caracrerização. O trabalho conta ainda com trilha sonora do grupo Pachka, composto por Miguel Mendes e TomBC, com os músicos convidados Surama Ramos e Henrique Albino.

Waldonys: cantor e sanfoneiro de muito talento

 


Waldonys José Torres de Menezes tem profissão diferenciada, apesar de ter enveredado pelo caminho da musica. Ele é paraquedista e piloto acrobático. Nascido em Fortaleza, capital do Ceará, em 14 de setembro de 1972, foi o seu pai que o incentivou para a carreira artistica. Ele era acodeonista amador e começou a dar aulas para Waldonys quando ele tinha apenas 11 anos. Posteriormente, estudou num conservatório musical. Nessa época ele conheceu Dominguinhos, que o apresentou a Luiz Gonzaga. 

 Notando que o garoto tinha talento e puxava muito bem o fóle da sanfona, levou-o para São Paulo e aos 15 anos  participou da gravação da musica “Fruta Madura”,  do LP “Ai tem”. Aos 16 anos foi convidado a participar de uma turnê aos Estados Unidos, por um período de 4 meses. Agradou tanto que acabou ficando por lá 8 meses, tocando em teatros lotados, em metrópoles como por exemplo Las Vegas.

Participou do “Projeto Asa Branca”, criado por Dominguinhos, em companhia de Renato Borghetti, Oswaldinho, Sivuca, Gilberto Gil, Tânia Alves, entre outros. Tornou-se conhecido entre os maiores acordeonistas do Brasil.  Trabalhou com Fagner, participando de turnê, onde também viajou pelo Brasil e Exterior. Na volta, a bagagem cheia de experiência, gravou em 1992 seu primeiro LP, em homenagem a Luiz Gonzaga, intitulado “Viva Gonzagão”.

Começou daí sua carreira solo. Cantando e tocando Waldonys foi se tornando conhecido pelo público e pela crítica. Gravou outro álbum  “Veleiros”.  Fez uma excursão com a cantora Marisa Monte, além de ter gravado um LP com ela. Horizontes ampliados, Waldonys sentiu necessidade de retomar sua carreira solo, e daí vieram vários discos.

Participou de mídias nacionais como “Programa Som Brasil” (em que esteve por 4 vezes), “Domingão do Faustão”, “Programa Jô Soares”, “Viola minha viola”, “Altas Horas”, entre muitos outros..

A gravação do primeiro DVD de Waldonys foi feita em comemoração aos 20 anos de carreira, gravado ao vivo no Teatro José de Alencar, em Fortaleza-CE, com as participações de Tânia Alves, Renato Borghetti e Fausto Nilo.

E aí está Waldonys, um cearense que aproveitou bem  as oportunidades e ganhou popularidade na musica nordestina e brasileira.

sábado, 8 de maio de 2021

Após 29 anos, Banda de Pau e Corda lança disco de canções inéditas


 Em atividade desde 1972, a Banda de Pau e Corda é um dos grupos mais longínquos da música popular brasileira. Integrante de um movimento de renovação da sonoridade criada no Nordeste que tinha como epicentro o Recife, o grupo foi responsável, junto a nomes como Quinteto Violado, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, por criar uma canção popular urbana com características marcadamente nordestinas. E fez disso a sua missão. Após quase 30 anos sem entrar em estúdio para gravar um trabalho solo, o grupo lança neste sexta-feira (23) um novo álbum. “Missão do Cantador”, título que dá nome ao álbum e também à sua faixa de abertura, marca uma espécie de retorno da Banda de Pau e Corda em sua essência. O álbum sai pela Biscoito Fino, com produção assinada por José Milton e capa de Elifas Andreato.

Apesar das mudanças em sua formação original, o grupo se mantém fiel à sonoridade que o colocou no rol dos clássicos da música popular brasileira. O diálogo entre a flauta e a viola, os vocais sempre presentes e, sobretudo, a maestria de sua “poesia cantada” – como frisou Gilberto Freyre ainda no primeiro disco do grupo -, estão presentes nesse novo trabalho. Para isso, o grupo contou com a produção de José Milton, responsável por lançar, ainda em 1973, o grupo no mercado fonográfico. Profissional de longa e importante história na MPB, José Milton iniciou sua trajetória como produtor musical justamente com a Banda de Pau e Corda, e com ela seguiu caminhando junto nos primeiros 7 álbuns.

Os arranjos são, em sua maioria, assinados por Zé Freire, também violonista do grupo. Das 13 canções que integram o trabalho, apenas 2 possuem assinatura de Waltinho, um dos fundadores da Banda e arranjador de todos os trabalhos anteriores. Inspirado na estética definida por Waltinho ao longo de décadas, Zé Freire criou os demais arranjos tentando construir pontes entre o passado e o presente, respeitando toda a história da Banda de Pau e Corda, mas apontando caminhos futuros. E esse diálogo entre gerações também se faz notar na escolha das participações especiais. Na parte instrumental, o Mestre Gennaro participou tocando sanfona na canção Estrela Cadente (Waltinho/Sérgio Andrade) e Alexandre Rodrigues, também conhecido como Copinha, tocou pífano na música Fogo de Braseiro (Sérgio Andrade), cujo arranjo dialoga diretamente com o clássico “A briga do cachorro com a onça”, composição de Sebastião Biano, da Banda de Pífanos de Caruaru. A mesma canção conta também com a participação especial do paraibano Chico César. “Além de ser um artista de quem somos fãs, Fogo de Braseiro é uma letra com forte teor político e Chico é um dos artistas que melhor consegue traduzir isso em suas canções”, destaca Sérgio Andrade, cantor, compositor e um dos fundadores da Banda.

Outro artista convidado a participar foi o maranhense Zeca Baleiro. Com interpretação marcante, Zeca divide os vocais com a Banda de Pau e Corda na canção Tudo Num Balaio Só, música inédita de autoria de Murilo Antunes em parceria com Natan Marques. “Quando Murilo me apresentou essa música, a primeira voz que eu imaginei foi a de Zeca Baleiro. Antes mesmo de me imaginar cantando a canção, eu só conseguia ouvir a voz de Zeca”, revela Andrade. Para fechar a lista de participações, a Banda de Pau e Corda convidou o cantor Marcello Rangel, integrante da nova cena da música pernambucana reunida no movimento Reverbo, para gravar voz e violão no frevo “Quer Mais o Quê?”, de sua autoria. A canção foi apresentada à Banda pelo autor no finalzinho de 2019 e imediatamente adotada pelo grupo já no carnaval de 2020.

A capa do álbum “Missão do Cantador”, assinada pelo artista plástico Elifas Andreato, reedita uma parceria que teve início nos anos 1970. Mais especificamente em 1978, quanto Elifas criou uma das obras mais icônicas de sua extensa e premiada carreira: o LP Arruar, da Banda de Pau e Corda, que é um marco na trajetória do artista e também do grupo. Trazendo sobre o fundo preto uma caveira de boi crucificada, o artista conseguiu transmitir com excelência a mensagem que a Banda levava em suas canções. Sobre o mesmo fundo preto, saem as imagens da seca, entram as cores de um nordeste contemporâneo.

Zé Ramalho fez do cordel a base de sua brilhante carreira


José Ramalho Neto é seu nome de batismo, nascido no dia 3 de outubro de 1949 na cidade de Brejo da Cruz, no sertão da Paraíba a 380 quilômetros da capital, João Pessoa. Filho de um seresteiro – Antônio de Pádua Pordeus Ramalho, ele tinha dois anos de idade quando seu pai morreu afogado numa represa da região e ele foi criado por um avô. Essa relação com esse avô deu origem, mais tarde, à canção "Avôhai!". Zé Ramalho passou a maior parte de sua infância em Campina Grande. Depois foi morar em João Pessoa. Sua primeira relação com a música foi influenciada pelo movimento da época: a Jovem Guarda. Mas, antes de compor, ele gostava de fazer versos de cordel. 

        

Em 1974, Zé Ramalho tocou na trilha sonora do filme “Nordeste: Cordel, Repente e Canção”, de Tânia Quaresma. Na época, passou a misturar as suas influências: de Rock "n Roll a forró. Um ano depois, gravou seu primeiro álbum, “Paêbirú”, com Lula Côrtes,  na gravadora pernambucana “Mocambo”.           

Em 1976 mudou-se para o Rio de Janeiro. Seu primeiro álbum solo foi gravado um ano depois. Gravou vários discos homenageando artistas influentes em sua carreira: Beatles, Bob Dylan, Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Jackon do Pandeiro, Fagner.  Teve um relacionamento amoroso com a cantora Amelinha, com a qual teve um filho.            

 Em 1980 mudou-se para Fortaleza, onde escreveu o livro “Carne de Pescoço”. Depois de se separar de Amelinha passou dois anos tocando e cantando nos Estados Unidos (1990-1991).             

Analisando sua discografia, pode-se dizer que Zé Ramalho gravou um disco a cada ano. Em 1996 ele lançou o álbum ao vivo “O Grande Encontro”, ao lado de Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo. O sucesso do disco e do show foi tão grande que ele gravou uma nova versão em 1997 desta vez sem Alceu Valença. O álbum vendeu mais de 300 mil cópias recebendo os certificados Ouro e Platina.              

Aos 20 anos de carreira, Zé Ramalho foi personagem do livro “Zé Ramalho – um visionário do século XX”, da escritora Luciane Alves.

Antes do fim do milênio, um outro sucesso “Admirável Gado Novo” (primeiramente lançado no álbum “A Peleja do Diabo com o Dono do Céu”) foi usado como tema do líder sem terra Regino, personagem emblemático de Jackson Antunes na novela “O Rei do Gado”, da Rede Globo.

Ele também lançou o álbum “Eu Sou Todos Nós”, seguido do “Nação Nordestina”, sendo que nesse último a música nordestina foi novamente explorada. O álbum foi indicado para o “Latin GRAMMY Award” de Melhor álbum de Música Regional ou de Origem Brasileira. 

Tocou ao lado da banda de metal ‘Sepultura’  no palco Sunset do Rock in Rio 2013, no espetáculo que foi chamado de "Zépultura".  O show foi bastante elogiado pela crítica, demonstrando a versatilidade e o enorme talento do artista nordestino.  

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Rosilda Alves disponibiliza aulas da oficina “Do Xaxado Ao Hip Hop” no YouTube

 Já está disponível no YouTube uma série de vídeo aulas sobre danças populares e urbanas, que integram projeto “Do Xaxado Ao Hip Hop”. A iniciativa, contemplada pelos recursos da Lei Aldir Blanc em Pernambuco, foi idealizada pela dançarina Rosilda Alves (Ouricuri) e tem como objetivo transmitir conhecimentos teóricos e práticos de ritmos pernambucanos e da dança breaking que faz parte da cultura hip hop.


Buscando apresentar um conteúdo bastante didático que sirva de base para pesquisas sobre dança por professores de arte, estudantes e dançarinos, o projeto traz dez aulas, que apresentam os os passos do xaxado, caboclinho, oco de roda, maracatu, reisado e do breaking.

Além de Rosilda Alves, participam do projeto os dançarinos Júnior Valões e Júnior Baladeira. Os vídeos foram captados e editados por Hércules Félix e Domingos Izaías.