segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Caboclinhos: tradição do carnaval de Pernambuco


Pode-se dizer que o Carnaval de Pernambuco é um dos mais ricos do mundo em relação ao folclore e a cultura popular. E, certamente, entre os grupos de fantasiados que mais atraem a atenção dos foliões estão os caboclinhos. De acordo com a historia do folclore pernambucano, os caboclinhos têm relação com o culto da Jurema, árvore cujas folhas produzem um chá considerado sagrado pelos caboclos nativos do Brasil.

Os caboclinhos representam uma das mais antigas tradições do Carnaval de Pernambuco. São grupos fantasiados de índios, com vistosos cocares, adornos de penas na cintura e nos tornozelos, que dançam como num ritual de caça e combate. A cidade de Goiana é considerada a capital dos caboclinhos.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Ubuntu: proteção e paz para o Carnaval 2023


 Um carnaval de alegrias, de encontros, de diversão e de paz. A cerimônia do Ubuntu acontecerá pela quarta vez, no Passeio Rio Branco, no Bairro do Recife, e faz parte da agenda oficial do Carnaval realizada pela Prefeitura do Recife. Entre as novidades, pela primeira vez haverá um ensaio geral dos afoxés que integram a cerimônia no Pátio de São Pedro amanhã (sexta-feira, 10 de fevereiro). A cerimônia em si acontecerá na quinta-feira da semana pré (16) e reunirá 26 afoxés que, juntos, evocam a proteção dos Orixás num convite que se estende aos brincantes. Uma preparação que começa às 6h com a preparação das ervas e culmina com a concentração dos afoxés e lavagem no Passeio Rio Branco em uma celebração compartilhada por todos.  

No ensaio de amanhã (10), a partir das 17h, o Pátio de São Pedro acolherá os 26 afoxés que farão parte da cerimônia de purificação para transmissão de boas energias e bons fluidos para o Carnaval de 2023. Na ocasião, as agremiações irão entoar, juntas, cânticos para os Orixás, bem como as tradicionais canções que embalam os afoxés com toda a sua beleza.

Ubuntu - Simbolicamente a Rio Branco é lavada com um banho de ervas conhecido por Amaci/Omieró. A cerimônia começa às 6h do dia 16 de fevereiro, com a preparação do Amaci, ervas preparadas pelas ialorixás e pelos babalorixás dos 26 afoxés que conduzem, de maneira compartilhada, todo o rito. A preparação conjunta acontece no Núcleo Afro, que fica no Pátrio de São Pedro. Às 15h, os Afoxés se reúnem para saírem, em conjunto, pela Avenida Rio Branco, em cortejo rumo ao Marco Zero, a partir das 16h30, fazendo a lavagem, pedindo proteção e distribuindo bênçãos.

O afoxé é o candomblé de rua e o ijexá são os tambores e os toques específicos direcionados a cada Orixá. O Ubuntu reúne todas essas nações no cair do sol, num espetáculo cheio de ritmos, cores e tradição. Um convite para a celebração à vida e que se estende com outra grande apresentação, o Tumaraca que acontece no palco do Marco Zero.

Pátio de São Pedro também terá encontro de Afoxés no Domingo (12) - As agremiações que representam o Candomblé na rua irão se reunir no Pátio de São Pedro, nos dias 10 e 12 de fevereiro. No dia 10 acontece o ensaio para o Ubuntu. , cerimônia que abençoa o Carnaval e que acontece no dia 16 de fevereiro, quinta da semana pré. No dia 12, acontece a primeira etapa do Encontro de Afoxés com 13 agremiações, no Pátio de São Pedro. A tradicional reunião de Afoxés ocorre tradicionalmente no Pátio do Terço – epicentro da liturgia da ancestralidade negra do Carnaval e onde ocorrem também a Noite dos Tambores Silenciosos e o encontro dos Blocos de Samba-reggae - no domingo de Carnaval, que, este ano, cai no dia 19 de fevereiro.

  

Serviço:

Ubuntu – Ensaio Geral – 26 afoxés

Data – 10 de fevereiro (sexta-feira)

Local – Pátio de São Pedro,

Horário – 19h

Alafin Oyó, Povo De Ogunté, Ogbon Obá, Yami Balé Gilê, Obá Iroko, Omo Inã, Ara Omim, Baba Orixalá Funfun, Afefe Lagbará, Omolu Pakeru Awo, Filhos De Ayrá, Omo Lufan, Okulê Byí, Ara Odé, Ylê Egbá, Oxum Pandá, Filhos De Xangô, Filhos De Dandalunda, Omim Sabá, Ylê Xambá, Oya Alaxé, Omo Nile Ogunjá, Oxum Jagurá, Elegbará, Omo Obá Dê, Povo dos Ventos

 

Encontro de Afoxés – 1ª Parte – 13 Afoxés

Data – 12 de Fevereiro (domingo)

Horário – 17h

 

Alafin Oyó, Povo De Ogunté, Ogbon Obá, Yami Balé Gilê, Obá Iroko, Omo Inã, Ara Omim, Baba Orixalá Funfun, Afefe Lagbará, Omolu Pakeru Awo,Filhos De Ayrá, Omo Lufan, Okulê Byí

 

Ubuntu – Lavagem do Passeio Rio Branco – 26 Afoxés

Quando: quinta-feira (16)

Amaci - Preparo das Ervas - Pátio de São Pedro - 6h

Onde: Passeio Rio Branco (Bairro do Recife)

Concentração dos afoxés: 15h

Saída do cortejo e lavagem da Rio Branco: 16h30

Ara Odé; Alafin Oyó; Ylê Egbá; Oxum Pandá; Filhos De Xangô; Povo De Ogunté; Filhos De Dandalunda; Omi Sabá; Omo Nile Ogunjá; Oya Alaxé; Ylê Xambá; Oxum Jagurá; Elegbará; Omo Obá Dê; Povo Dos Ventos; Ogbon Obá; Yami Balé Gilê; Obá Iroko; Omo Inã; Ara Omim; Baba Orixalá Funfun; Afefe Lagbará; Omolu Pakeru; Awo; Filhos De Ayrá; Omo Lufan; Okulê Byí

 

Encontro de Afoxés – 2ª Parte – 13 Afoxés

Data – 19 de Fevereiro (domingo)

Local – Pátio do Terço

Horário – 17h

Ara Odé, Ylê Egbá, Oxum Pandá, Filhos De Xangô, Filhos De Dandalunda, Omim Sabá, Ylê Xambá, Oya Alaxé, Omo Nile Ogunjá, Oxum Jagurá, Elegbará, Omo Obá Dê, Povo Dos Ventos.

Carnaval na pauta de trabalho da Prefeitura do Recife

A Prefeitura do Recife está agilizando providencias para que tudo funcione a contento nos 44 pólos de animação espalhados pela cidade durante os festejos carnavalescos. Cerca de duas mil e 800 apresentações entre artistas e grupos fazem parte da programação elaborada pela municipalidade recifense.

Sob orientação do Prefeito João Campos, cerca de 6 mil e 600 profissionais, entre servidores e terceirizados, nas áreas da saúde, cidadania, turismo e transporte vão estar em atividade no período que antecede e durante os festejos para que os foliões possam usufruir de um Carnaval muito animado e seguro.

Galo Ancestral empodera e legitima berço do Carnaval recifense


Um galo majestoso que flerta com o futuro, ao mesmo tempo que reverencia suas origens carnavalescas e traz a representatividade da etnia brasileira e, sobretudo, da população negra, do nascimento dos brinquedos populares e do frevo. Estas são algumas das inspirações que o artista plástico, designer e consultor pernambucano Leopoldo Nóbrega bebeu para criar o "Galo Ancestral", alegoria que irá reinar absoluto na Ponte Duarte Coelho durante o Carnaval 2023. A aposição da obra de arte gigante na ponte matará as saudades dos brincantes e encerrará o hiato de dois anos de suspensão da folia devido às causas sanitárias.

Para o secretário de Cultura do Recife, Ricardo Mello, o encontro com o Galo Ancestral reverencia a cultura popular basilar  inerente ao ciclo momesco recifense. “Quando falamos em uma volta ‘com todos os Carnavais’, estamos atentos à diversidade, à pluralidade única desse ciclo cultural, no Recife, mas também às referências temporais, das várias épocas, encontrando assim as origens da folia. Isso nos remete à necessária reverência feita à cultura popular, ao surgimento de tudo, a quem está na base de um Carnaval singular, construído pela alegria e pela resistência das nossas manifestações originais, que norteiam e inspiram a Cidade da Música e da Cultura Patrimônio, o Recife, a ser o que ele é. Essa foi a fonte conceitual, traduzida claramente nas homenagens a Zenaide Bezerra e Dona Marivalda, mulheres negras que dedicaram a vida a um ofício apaixonado, no qual estão desde sempre. O frevo e o maracatu são, para elas, muito mais do que expressões culturais ou festa, são afirmações de luta, história, resistência e identidade, com a marca da paixão pela arte, a dança, a música, além de reconhecimento à ancestralidade. Assim nos encontramos com o Galo Ancestral”, pontua Mello.

Leopoldo Nóbrega, que assina a escultura, ressalta o empoderamento social presente na obra de arte. “Em reconhecimento à História e toda riqueza do legado afrodescendente para a formação multiétnica nacional, evocamos a nossa ancestralidade africana e brindamos um novo tempo colorido, de paz, igualdade, inclusão e valorização das diferenças como potência cultural e estímulo ao fortalecimento das identidades através do empoderamento social, das narrativas humanistas e práticas sustentáveis presentes na escultura gigante do Galo da Madrugada”.

Ao todo, serão mais de 7 toneladas de insumos utilizados, incluindo - além da estrutura de ferro - todos os revestimentos que sintonizam as tendências de moda e arte da obra. Toda a estrutura da alegoria é feita sob medida para ser encaixada no guindaste de 70 toneladas que garante a estabilidade do Galo na ponte. São cerca de 20h de trabalho na Ponte Duarte Coelho, que deve ser iniciado na noite do dia 16 de fevereiro. Quando pronto e montado, a alegoria chegará a 28 metros de altura. A obra de arte também traz traços cubistas e angulosos inspirados em Picasso que, por sua vez, também se inspirou na arte africana no início do século passado, e terá 90% de materiais e resíduos recicláveis.

Assim como suas duas últimas edições, também assinadas por Leopoldo Nóbrega e a designer e arquiteta Germana Xavier, a sustentabilidade e upcycling são fundamentais no processo de confecção da obra de arte gigante. A indumentária vem de descartes de tecidos como malhas e jeans coletados em cidades como Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe e também de revestimentos de pisos em eventos. “A gente vem com um galo pós-moderno, inclusivo e que dialoga com a redução de impactos ambientais”, ressalta Nóbrega, que manteve a co-criação da escultura gigante em parceria com mulheres artesãs de comunidades periféricas, como Bomba do Hemetério, Morro da Conceição, Santo Amaro e Ponto de Parada. É pelas mãos delas que a indumentária do Gigante da Ponte ganha vida. A formação das artesãs é fruto de metodologias próprias para Eco Arte Educação, idealizada pela Professora e Artista Plástica Maria do Carmo da Silveira Xavier, e vem acontecendo em oficinas permanentes através dos Núcleos Produtivos voluntários e solidários Arte Plenna, a exemplo do projeto Sonhar e Bordar, em parceria com a Artesã e Ativista Ester Bispo.  

Pela primeira vez, o Galo reverencia pretos e pardos, pilares da cultura carnavalesca e do surgimento dos brinquedos populares tão caros à população, como o próprio frevo. É pelas mentes e mãos da classe trabalhadora que surgiram todas as manifestações que permeiam o ciclo momesco. Maracatus são ligados às casas de santo, Caboclinhos idem, com suas reverências e referências afro-ameríndias, assim como os Ursos. Sejam Escolas de Samba, ou Afoxés, as ligações com a cultura de matriz religiosa africana e indígena corre e pulsa nas veias dos brincantes e suas manifestações únicas no Recife. Pois são justamente as manifestações populares que fazem da festa no Recife um Carnaval único, inclusivo, plural e popular.

A indumentária do Galo bebe na fonte de padronagens e paletas de cores africanas e Pernambucanas (ou AfroPernambucanas) e traz tons quentes, como as tonalidades presentes na bandeira de Pernambuco. “Teremos também tons flúor e metálicos. O Manto Sagrado do Galo terá uma cartela de cores vibrantes, com influências afropunk.  A roupa será um caleidoscópio em Patchwork de inspirações étnicas”, antecipa Leopoldo Nóbrega.  As pontas das asas serão douradas, em franca reverência a Oxum, deidade das águas, que também é reverenciada na cidade, cuja padroeira vem a ser Nossa Senhora do Carmo, em franco sincretismo com a ancestralidade negra. No pescoço, mais dourado, desta vez com um colar no estilo gargantilha africana. A cauda, por sua vez, traz todas as cores da paleta do arco-íris para rememorar que o Carnaval é, sim, de todos, todas e todes. Mosaicos de espelhos tecnológicos serão confeccionados com descartes de DVDs, iluminando a importância do consumo consciente e compondo a indumentária, reforçando o sagrado que reflete e transmuta as energias, presentes na gola e partes do figurino do gigante.

Na roupa, Leopoldo também mascarou alguns símbolos sagrados da folia. A exuberância de cores e texturas esconderá verdadeiros talismãs,  simbologias que fazem referência ao Frevo e Maracatus, como coroas, escudos e sombrinhas de frevo, que farão as vezes de proteção. A cabeça do Galo Ancestral será um espetáculo à parte. Pinturas africanas em cor branca irão adornar o rosto do Gigante, cuja crista passa a adotar dreadlocks, embelezados com fitas de múltiplas cores. Sua majestade, o Galo Ancestral, promete reinar na Ponte Duarte Coelho a partir da sexta-feira que antecede o Sábado de Zé Pereira, dia 17 de fevereiro.